
Troca de conhecimentos, ancestralidade e o futuro da Bruxaria Natural em discussão. Existem eventos que não são apenas encontros, são marcos.

O 2º Fórum de Bruxas e Magos Naturais, promovido pela Casa de Bruxa, em Santo André, no espaço Clube Bunka no dia 25 de janeiro de 2026 (desculpe a demora para postar esse registro no blog).
Mais do que participar, estar ali foi sentir que a Bruxaria Natural segue viva, pulsante e em constante construção. Em um tempo em que a espiritualidade muitas vezes é reduzida a consumo rápido, estética ou fórmulas prontas (aqui tem um tiquinho da minha crítica às redes sociais e viralização), esse fórum reafirmou algo essencial: a Bruxaria é prática, é ética, é relação e é comunidade.
Me senti insegura, pois depois de um bom tempo não participando socialmente de nenhum evento de contato direto com pessoas que me ensinaram a base da Bruxaria, eu estava quase em colapso, preocupada se iria ter uma fala coesa e assertiva sobre a temática da mesa que fiquei. Mas a real que isso não importava muito… o que importava era participar e realmente na conversa de troca de ideias desenvolver a temática. Depois que estive na mesa, fiquei aliviada… tenho meus bloqueios de comunicação oral e vi que o fórum também foi uma oportunidade de melhorar um pouquinho mais! Então tive a ideia de escrever um pouco sobre o evento e como eu AMO escrever, fluiu demais essa volta de escrita aqui no blog da Triluna!

Preciso agradecer aos meus Mestres/professores que pude reencontrar no fórum… alguns se lembraram de mim, outros nem tanto (hihi faz parte da vida), mas o que aprendi com cada um sigo aprimorando cada dia mais. Menção honrosa para: Tânia Gori, Rodrigo Leitão, Alline Lima, Rodrigo Pratta, Victor Valentim, Valeria Gori, Erica Marson. Peço desculpas se, ao longo desse texto, algum nome importante acabou ficando de fora. Minha caminhada na Bruxaria Natural foi e continua sendo tecida por muitos encontros, aprendizados e Mestres — alguns com nomes que a memória não guardou, mas cujas marcas seguem vivas em mim. Cada pessoa que cruzou meu caminho, em uma aula, uma conversa, um ritual ou um gesto de partilha, foi especial e necessária para que eu me tornasse quem sou hoje. Honro a todos, mesmo aqueles que hoje não consigo nomear, pois a Magia do que foi vivido permanece.
Retomando!!!


Ao longo do dia, o evento foi tecido entre mesas de debate, apresentações de dança — que trouxeram o corpo como linguagem ritual — e um espaço de estandes, fortalecendo artistas, artesãos, literatura mágica e projetos lindíssimos. Tudo isso sustentado por um clima de respeito e troca. Abaixo, apresento os temas das mesas de debate e o que cada um trouxe de reflexão para a comunidade bruxesca:
Mesa 1 — O papel da Bruxaria Natural no mundo contemporâneo
A primeira mesa abriu o fórum com uma pergunta que ecoou em todo o restante do evento: Qual é o lugar da Bruxaria Natural hoje?
Foram discutidos temas como ancestralidade, inclusão, espiritualidade feminina e o papel social da bruxa. Algo que me marcou profundamente foi a compreensão da Bruxaria não apenas como prática espiritual individual, mas como posicionamento social, cultural e político, bem exemplificado pelas falas da bruxa Jémina Diogenes.
Bruxa e grande amiga Jémina Diogenes em sua fala na mesa de debate.
O papel da bruxa como resistência apareceu com força e a comunidade como espaço de cuidado, transmissão de saberes, acolhimento e manutenção da memória ancestral. Em um mundo que insiste em romper vínculos, a bruxa segue lutando pelo seu lugar de permanência.
Mesa 2 — Elementais e Ecoconsciência na Bruxaria Natural
Essa mesa tocou diretamente no coração da minha prática. Falamos sobre cuidado ambiental, ética na coleta de ervas, respeito aos elementais e a magia da Terra entendida como relação, nunca como exploração.
Na minha fala, ressaltei que não existe Bruxaria Natural desconectada da ecoconsciência. Se a prática espiritual ignora o impacto ambiental, ela perde coerência.
Também trouxe a importância de adaptar a prática à realidade contemporânea, especialmente urbana, compreendendo que ecoconsciência também é reduzir excessos, questionar o consumo espiritual e rever hábitos ritualísticos.
A magia elemental, quando consciente, começa muito antes do ritual — começa na observação, no cuidado cotidiano e na ética. Inclusive, isso me deu inspiração para escrever um artigo no próximo mês, justamente sobre essa temática que, por muitas vezes, nem nos damos conta da grande importância de reflexão.
Mesa 3 — Herbologia Mágica e Cura Ancestral
A terceira mesa trouxe um mergulho profundo na relação entre plantas, saberes ancestrais e processos de cura. Foram apresentados caminhos da herbologia mágica, incluindo tinturas, ungentos, chás e rituais com plantas, com um olhar atento para as ervas brasileiras e seus usos tradicionais.
Algo que considero essencial nessa fala foi o reforço da responsabilidade na transmissão desses saberes. A cura ancestral não se constrói na pressa, nem na apropriação, ela nasce da escuta ativa, do vínculo e do respeito aos ciclos naturais.
Mesa 4 — Saúde emocional e energia na Bruxaria Natural
Essa mesa trouxe uma abordagem sensível e necessária sobre equilíbrio emocional, autocuidado e práticas energéticas. Foram apresentados trabalhos com práticas voltadas ao alinhamento emocional.
O que ficou muito claro é que não existe espiritualidade saudável sem cuidado emocional. O autocuidado apareceu não como algo superficial, mas como ato sagrado e sustentação da prática mágica.
Mesa 5 — Oráculos naturais e a sabedoria das deusas brasileiras
Aqui, o foco foi a relação entre oráculos naturais, intuição e ética. Falou-se sobre responsabilidade oracular, deixando claro que o oráculo não é instrumento de poder ou controle, mas de orientação e escuta. Essa mesa reforçou que ler oráculos exige preparo, sensibilidade e compromisso com quem busca orientação.
Mesa 6 — Paganismo, tradições brasileiras e inter-religiosidade natural
Essa mesa abriu espaço para um diálogo extremamente necessário sobre respeito, integração espiritual e combate à intolerância religiosa. Foram discutidos caminhos possíveis de convivência entre diferentes tradições, ressaltando que a Bruxaria Natural não se constrói em isolamento, mas em diálogo, pois a espiritualidade aparece como ponte e não como muro divisor.
Mesa 7 — A magia ancestral do Brasil
Essa foi uma mesa especial! Falou-se das rezas, benzeduras, práticas de cura como saberes vivos, que resistem apesar de séculos de apagamento. Ficou evidente a importância de valorizar essas tradições com responsabilidade, evitando romantizações e apropriações, e honrando quem mantém esses saberes vivos no cotidiano.
Mesa 8 — O futuro da Bruxaria Natural e formações sagradas
Encerrando o fórum, essa mesa trouxe reflexões sobre os novos caminhos da Bruxaria Natural, a construção de comunidade e a importância de formações éticas e responsáveis. Aqui, penso muito também sobre o fortalecimento de espaços como a Casa de Bruxa e a ABB, que atuam como pilares na sustentação e organização da Bruxaria Natural no Brasil, em vista de formações, eventos e discussões. Mais do que falar sobre o futuro, essa mesa nos convidou a pensar como queremos construí-lo.
Considerações finais
Amei participar do 2º Fórum de Bruxas e Magos Naturais e já digo que ano que vem tem o 3º Fórum, confirmadíssimo pela Tânia Gori.
Foi bacana ver que a Bruxaria Natural é uma prática solitária e coletiva, mas que na sua essência ela se fortalece na troca, na escuta e no encontro com o outro. Eventos como esse fomentam reflexão, criam redes, fortalecem artistas, praticantes e educadores espirituais e mantêm viva uma espiritualidade comprometida com a Terra, a ancestralidade e o cuidado.
Minha gratidão profunda à Casa de Bruxa, aos organizadores, palestrantes, artistas e a todas as pessoas que fizeram esse fórum acontecer.
Que esses espaços sigam existindo, crescendo e sustentando caminhos mágicos mais conscientes.
Seguimos juntos e em comunidade.



